domingo, 31 de janeiro de 2010

 

Post #20

A Abuso Produções originou-se como um Fanzine “O Abuso” dentro das paredes de uma universidade em 2002. Era a união de quatro amigos. Danilo Costa, Jorge Amado, Wiler Mendes e Márcio Cruz que estavam com algumas idéias que gostariam de expor. Pra nós era um abuso escrever sobre política, filosofia e poesia em uma universidade que a maioria das pessoas nem sabia o que era um fanzine. Durou quatro edições, mas antes do seu fim A Produtora já estava implementada como a “Abuso Produções” e já estava com visões além do horizonte zineiro. Os amigos se distanciaram aos poucos por vários motivos que a vida impõe. Restou apenas eu que ainda me envolvia em assuntos de caráter independente e numa associação que não tinha como não acontecer meu irmão sentiu uma identificação com a idéia do “Abuso” passou a usar o logo em seus trabalhos. Foi então que a marca começou a ser posta em todo e qualquer matérial que eu e meu irmão fizéssemos. O Fanzines lançados por Marat começaram a receber o logo, palestras que ele ministrava também eram constituídas com a alcunha da produtora como organizadora. A nossa produção virou a “Abuso Produções”.

Vampiro

Vampiro foi um vídeo experimental produzido a partir de fotos do Modelo Thales Weber. Para muitos que o assistem sempre o comparam a um vídeo feito para uma festa de aniversário, formatura, quinze anos ou similares. É até engraçado ouvir esses comentários por que nos levar a crer que as pessoas só entendem cinema enquanto uma história com uma trama, não percebem que cinema é, acima de tudo, experimentalismo como qualquer arte deve ser.
Do trabalho feito em Antitemplo até Vampiro uma evolução ocorreu. O uso do Movie Maker já era limitado demais para as pretensões que estavam surgindo. Foi necessário ir atrás de um programa onde as experimentações pudessem ser cobradas. Conseguimos um “Vegas 5” que parecia ser algo de outro mundo no campo das possibilidades.
Mas trabalhar com um programa novo não é algo que se faz de uma hora pra outra, do dia pra noite como todos sabemos. Então como seria possível ver o básico que o programa oferecia? Vampiro é o resultado dessa pequena experimentação, a sequência de fotos pode parecer simplória do ponto de vista técnico ou inovador, mas pressuposto aqui é: O que a gente pode fazer com esse programa? Com uma sequencia de fotos vamos descobrir o básico do básico do programa. Foi um teste divertido, coisa de uns dois dias de trabalho. A música de Nei Lisboa dá a densidade certa para o clima que se pretende passar. Experimentar era a palavra de ordem. Para o Marat, enquanto diretor serviu para ver as possibilidades parta futuros projetos. Eu na edição pude perceber e compreender o todo do programa e entender suas ferramentas básicas. Agora sim era a hora de buscar algo mais complexo pra realizar.


Ficha Técnica
Vampiro
Direção: Marcelo Marat
Edição: Márcio Cruz
Modelo: Thales Weber
Música: Rima Rica/Frase Feita – Nei Lisboa



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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

 

Post #19

A Abuso Produções começou como um fanzine nos idos de 2002, se expandiu e virou produtora. Palestras, eventos ligados a fanzines, festas e atualmente o cinema faz com que a Abuso Produções se mantenha na ativa com seu irrevogável lema: "A falta de grana é nossa motivação".
Infelizmente nem todo o material que veio antes dos filmes produzidos ainda existe, mas o cinema de resistência caiu como uma luva para uma produtora que leva a independência na sua alcunha.
A produção cinematográfica já é bem conhecida do público que busca não apenas o cinema tradicional das salas de exibições de shoppings. Foram sete vídeos elaborados e produzidos até hoje. Vou falar um pouco de cada um e da experiência de trabalhar com cinema, atores, diretor e edição de vídeo. Que comece a diversão.

Antitemplo

A história deste vídeo é peculiar. Meu irmão Marcelo Marat e eu planejávamos fazer vídeos, mas a falta de recursos básicos como uma câmera nos impedia de sair do papel. Era difícil alguém que se propusesse a aceitar uma empreitada de dois irmãos malucos. Foi então que nós conhecemos alguns garotos que vinham cheio de ânimo para querer produzir. Cacá e Sady vinham com uma boa vontade e um vigor para querer fazer algo, nós tínhamos uma idéia e o Sady uma câmera. Tudo estava perfeito. Após algumas conversas malucas numa tarde de sábado Marat, Sady e Cacá se aventuraram nas redondezas para fazer as filmagens. Eu fiquei em casa preparando o PC e lendo alguma coisa de como se fazer um vídeo. O Marat e eu tínhamos tentado algo com cinema por volta de 96 se não me falha a memória, mas nossos recursos na época para a edição eram dois vídeos cassetes e nenhuma experiência. A fita mofou, os vídeo cassetes e VHS sumiram e o tempo nos deu de presente os computadores.

Depois de algumas horas na rua a equipe voltava da rua com a câmera cheia, não era uma câmera profissional, e sim uma câmera fotográfica com uma memória mínima e com uma imagem simplória de 3.1MP. Descarregaram a câmera e voltaram para o resto das filmagens. Eu fiquei na frente do PC já arrumando o que poderia vir a ser um vídeo, escolhendo trilha e brincando com efeitos. Ao retornar e com todas as gravações feitas foi hora de começar a editar. Começava o caos que se estabelece sempre nas produções da Abuso, um computador velho que insiste em não funcionar e, na época usávamos o Movie Maker para a edição, ambos faziam o trabalho de Hollywood dentro de casa. A cada dez minutos o computador travava e era um suplício porque nem sempre o protótipo era salvo. Mas de pouco em pouco a coisa andava. Pra quem já havia batalhado com vídeo cassetes aquilo era fichinha.

O resultado foi que em um dia, após muito bate papo, piadas, gritos e porradas no computador terminamos o vídeo. O Marat escolheu o poema que seria lido por ele mesmo. Escolheu o Antitemplo, um poema do poeta paraense Clei de Souza. Um poema que aborda a existência humana diante da realidade que o cerca e sua real importância e sua culpa diante de tudo. Marat já havia escrito um roteiro para quadrinizar este poema, foi uma ótima escolha.

Então na hora de gravarmos o som descobriu-se que não sabíamos bulhufas de como trabalhar com áudio. Gravamos a voz do único jeito que sabíamos (na marra) e escolhemos a trilha sonora, o grande músico argentino Astor Piazzolla com El Boletin seria a trilha. Queríamos ver o resultado final, queríamos saborear o prazer de ter feito um vídeo, mesmo que este fosse fora dos padrões ou estivesse longe de algo compreensível para o público. Nada mais importava aquela altura, estávamos perto do deleite.

Som gravado, trilha escolhida, vídeo renderizado várias vezes, muitas travadas e até que se achasse o formato ideal. Foi um perrengue. Mas ficou pronto, e festejamos com muito vinho, vodka e cigarros assim como uma boa festa deve ser. Era apenas o começo do que viria ser a Abuso Produções.


Ficha Técnica:

Antitemplo

Ator: Cacá Rybeiro

Câmera: Sady Pantoja

Editor: Márcio Cruz

Narrador e Diretor: Marcelo Marat

Poema: Antitemplo – Clei de Souza

Trilha Sonora: El Boletin – Astor Piazzolla

ANTITEMPLO

Quando ando nessas ruas
por todos abandonadas
em madrugadas sem céu e sem lua
nem deus nem diabo nem nada

eu me sinto num antitemplo

onde o tempo escorre calado
num compasso de ritmo lento
só o vento vagueia ao meu lado

nem puta ladrão ou assassino

encontro nesse meu caminho
só encontro num canto um mendigo
mesmo ele está acomodado
veio aqui pra ser esquecido
não ser no seu sonho incomodado
o mundo se encontra dormindo
só eu perdido e acordado

se de repente uma chuva aparece

não é de lua cheia que lava
é uma magra e longa que desce
feito a dor de uma lua minguada

neste antitemplo comungo

com os gatos e os camundongos
e com as almas penadas que vejo
e vendo-as assim as invejo
pois não carregam do corpo
o peso

Clei de Souza



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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

 

Post #18

Já relutei em muito por ter que usar esse apetrecho tão incômodo que são os óculos. Os uso desde os meus 12 anos e se não me falha a memória eu me sentia muito incomodado. Não fui do tipo de criança que cresceu usando, óculos, aparelhos nos dentes, botas ortopédicas e essas coisas. Isso me incomoda e irrita bastante. Agora imagine chegar à pré-adolescência, estar cheio de espinhas e descobrir que vai usar óculos. Talvez uma menina ficasse feliz (não pelas espinhas, mas pelo novo adorno) e quisesse fazer uma coleção, mas isso só funciona com meninas.

Ficar cego é um trauma enorme, não vou compará-lo com outros, mas perder alguma função do corpo é algo assustador, ainda mais quando você é uma criança que não entende muito das coisas e do mundo ao seu redor. Posso até falar besteira, mas nascer cego é bem menos traumático do que ficar cego. Afinal é aquela velha história, quem nunca viveu uma experiência nunca vai poder sentir falta dela, ou vai?

Mas ai já se vai dezesseis anos desde o primeiro óculos. Um de aro grosso, marrom com míseros meio grau de miopia. Lembro que nesta época o médico disse: “se não tirar não cresce o problema, logo o grau não aumenta”. Hoje tenho três graus de miopia. Por isso não é bom acreditar cem por cento nos médicos.

Semana que vem pego meus óculos novos. Há a possibilidade de poder usar óculos escuros e enxergar tão bem quanto se não fosse cego. Não me sinto mais um esquizóide e até encaro os óculos como um adereço bacana, tem mulher que gosta e isso é um ponto a mais.

Um oculista me disse uma vez: “Deus não inventou as orelhas e o nariz por acaso”. Bem Deus pode não ter nada a ver comisso, mas há poesia até em ser quatro olhos, o mínimo que seja, mas há.

Agora é certo que se um dia eu puder abandoná-los não pensarei duas vezes. Menos os escuros. Porque esses ainda têm um charme rockeiro.

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

 

Post #17

Fanzine Ponto de Fuga N° 12. Comemorava os 10 anos do Zine de quadrinhos criado pelo grupo de mesmo nome no começo dos anos 90. Clique na Imagem Para vê-las ampliadas.












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terça-feira, 3 de novembro de 2009

 

Post #16

Bestando pelo Twitter vi que alguém havia feito uma comentário sobre uma série que chamada Dead Set, algo do tipo: “Se você gosta de séries veja Dead Set”. Curioso que sou fui atrás da série para saber do que se tratava. Big Brother! Mas não apenas a chatice do Pedro Bial, algo bem mais interessante fazia esta série inglesa de apenas cinco capítulos ter algo de peculiar, Zumbis!

A série explora um dia dentro do Big Brother inglês onde um paredão ocorre e os envolvidos estão a flor da pele para conseguir audiência. No outro extremo da história o que todos conhecemos, sem explicação nenhuma as pessoas viraram zumbi e estão famintas. Começa a trama, os Brothers dentro da casa acham que ainda são estrelas enquanto lá fora a cidade é tomada de assalto por mortos vivos. Até que chega à hora em os percebem o que aconteceu (por meios que não vou descrever aqui, vá atrás da série), e se vêem numa encruzilhada. Ficar na casa e se agüentar eternamente dentro de um dilema de televisão, ou ir para a rua e tentar lutar, mesmo o inimigo sendo um Zumbi.

Os mortos vivos seguem a tendência moderna dos zumbis maratonistas que correm feito uma bala, mas ainda tem em sua essência a burrice dos seus irmãos antigos da época de George Romero. Abrem o crânio de um vivo a dentadas e não se entendem com uma porta. Legal que a série usa os personagens reais dos BBB’s europeus, seria como se Pedro Bial e Cia fossem devorados e transformassem-se mortos vivos. É o sonho de alguns se tornando realidade.

Uma diversão garantida, não exige muito reflexo nem muito pensamento para ver. É Big Brother e é zumbi, o que não deixa de ser duas coisas bastante similares.



Trailer


Baixe a série:
1o Episódio (duplo):
http://rapidshare.com/files/161531118/DS01gordoiFORUMFARRA.part1.rar
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2o Episódio:
http://rapidshare.com/files/162226520/DS02gordoiFORUMFARRA.rar

3o Episódio:
http://rapidshare.com/files/162241792/DS03gordoiFORUMFARRA.rar

4o Episódio:
http://rapidshare.com/files/162256311/DS04gordoiFORUMFARRA.rar

5o Episódio:
http://rapidshare.com/files/162276604/DS05gordoiFORUMFARRA.rar

Fonte:

http://www.forum.clickgratis.com.br/farra/t-13312.html



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

 

Post #015

Na falta do que fazer listei as comunas mais populosas do meu orkut.

Meus destaques são:
Três dessas são sobre bebida
Duas sobre seu madruga
Duas são de downloads
Calvin And Hobes está na lista
Eu não participo ativamente de nenhuma dessas comunas, salvo um disco ou outro na Discografias.

1 - Discografias - 851.447
2 - Caverna do Dragão - 599.571
3 - Legião Urbana - 500.880
4 - F O D A - S E - 466.408
5 - The Simpsons - Brasil - 492.188
6 - Gírias Idosas - 261.920
7 - Doug Funnie - 228.738
8 - LOST - 188.768
9 - Iron Maiden Brasil - 186.502
10 - Saí sem grana, voltei bebado! - 165.521
11 - Tem Muito Sangue no Meu Alcool - 162.585
12 - Troco meu coração por 1 fígado - 154.682
13 - Seu Madruga vão matar o senhor - 126.227
14 - Filmes e Séries - DOWNLOAD - 122.546
15 - Hardcore/Punk Rock Brasil - 116.708
16 - Seu Madruga é Rei!!! - 116.387
17 - Photoshop Brasil - 113.621
18 - Calvin and Hobbes - 111.183

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

 

Post #014

“Tu simplificas tudo, varão. Tu és um homem feliz. Que simplifica tudo. Tu és calmo. Um Santo Homem. Tu acreditas, Varão. Vais direto-direto para o céu. O que espero ainda demore muitos anos”

Haroldo Maranhão


Minhas noites não serão mais as mesmas a partir de 2009. A necessidade em obter uma estabilidade financeira, ajudar com as despesas da casa, ou os simples desejos consumistas uma hora ou outra acabam levando a gente para aquele monótono mundo dos trabalhadores assalariados. Eu achava que não ia passar por isso, que iria trabalhar dentro de algo que fosse mais do meu feitio e, mesmo ganhado pouco teria certa satisfação pessoal. Ledo Engano.

Mas o fato de eu perder minhas tão valorizadas noites em um lugar horrível é compensado com a possibilidade de retornar meus hábitos de leitura que em muito ficaram para trás com a chegada da internet em minha casa. O expediente noturno em um trabalho é muito monótono, e na falta de tecnologia para adoçar o cérebro a diversão é ir para cima dos livros e devorá-los.

Após reler “Decibéis Sobre Mangueiras” de Ismael Machado, resolvi por desvendar o livro “Miguel Miguel” de Haroldo Maranhão. Lançado pela editora Cejup o livro vem sobre o título de “Novelas Brasileiras”, termo que eu acho equivocado uma vez que se trata mais de um conto do que de uma novela propriamente dita. Mas isso não diminui o prazer que a leitura causa.

A rasgação de seda feita por Antônio Carlos Villaça me deixou temeroso com o conteúdo do livro, mas rapidamente percebi que estava enganado. A prosa suculenta com que Haroldo escreve deixa-nos sempre apreensivos quanto aos fatos e suas conseqüências. A história nada usual, de tom mórbido, mas que por muitas vezes nos faz rir do que ocorre com os personagens centrais acaba por ditar o ritmo do “conto”.

Na trama um certo Miguel do Arcanos Falbo Quillet morreu, e essa morte desencadeia um problema quase existencial, quase um dilema Nietzschiano na vida do Sr. Varão e de sua esposa Úrsula. “Miguel Miguel” Passa a fazer sentido desde o seu título, mas sem fazer um sentido como em certas tramas românticas onde há um motivo, um começo e um fim. É uma diversão sem necessidade lógica, e a falta de lógica é o que faz do livro algo mágico. Não é uma escrita revolucionária, longe disso. Mas é escrita de qualidade, inegavelmente.


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